Corrupta, eu?

Eu gosto de assistir seriados, e um que está gerando grande polêmica ultimamente é brasileiro e chama-se “O Mecanismo”. É uma produção fictícia, porém baseada nos acontecimentos da operação Lava Jato e do jogo de poder do nosso governo nos últimos anos. Confesso a vocês que algumas cenas me trouxeram mais embrulho no estômago que os zumbis de The Walking Dead. É terrível ver a facilidade que as pessoas tem em enganar, ludibriar, manipular, sem preocupar-se com as consequências ou com quem vai sofrê-las. Sem dar spoilers sobre o seriado, uma das conclusões a que chega o personagem principal é que ‘o mecanismo’ está em toda a parte, da menor à maior instância. Vamos combinar que essa conclusão é bem óbvia, infelizmente.

Quando abrimos a Bíblia, encontramos algumas constatações que nos ajudam a entender o porquê: “…Ninguém é bom senão um, que é Deus.” (Marcos 10:18); “…não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Romanos 3:12); “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia…” (Isaías 64:6). A gente não vale nada, nenhuma de nós. Temos a tendência de jogar a culpa lá pra cima, pra turma do Planalto, mas a gente aqui embaixo não está tão inocente assim.

Lembro-me de uma cena que me chocou bastante, em 2017, quando a PM do Espírito Santo estava em greve e houve um caos generalizado no estado. Em um vídeo que recebi sobre o assunto eu esperava ver bandidos armados até os dentes, mas o que vi foram mulheres e crianças saqueando lojas, carregando televisões, brinquedos e fornos de micro-ondas.

“Ah, mas eu nunca fiz nada disso”. Talvez não tenha saqueado uma loja, mas é bem possível que tenha usado a impressora do estágio pra imprimir seu projeto da faculdade, ou mesmo aproveitado a tarde no trabalho pra organizar a reunião de sábado na igreja. “Ué, e não pode?” Teoricamente você está recebendo para resolver as coisas do seu trabalho, e se você pára pra resolver coisas da igreja, então, teoricamente, você está roubando do seu patrão (PS.: Teoricamente, nesse caso, significa na prática mesmo). Parece assustador, mas é que já estamos tão “acostumadas” com o tal do jeitinho brasileiro que coisas assim passam batidas.

Mas, e aí? Ninguém presta, a corrupção está entranhada no brasileiro, então já era? Paulo se viu em situação semelhante, e a conclusão a que ele chegou pode nos ajudar bastante: “Como sou miserável! Quem me libertará deste corpo mortal dominado pelo pecado? Graças a Deus, a resposta está em Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Romanos 7:24-25a – NVT).

Jesus veio para nos trazer salvação e nos dar a vida eterna, mas também para nos redimir dos nossos próprios pecados, e, através de nós, redimir nossa cultura e nossa sociedade. O que quero dizer com “através de nós”? Quando Jesus é Senhor de toda nossa vida, quando entregamos a Ele o controle de realmente tudo, Ele nos ajuda a ficar mais atentas a esses comportamentos, que, mesmo parecendo puramente culturais, são pecaminosos, e a abandoná-los – e aí são menos pessoas corruptas no Brasil.

Quando vivemos e pregamos o Evangelho, quando proclamamos Jesus às outras pessoas, essas também viverão debaixo do senhorio de Cristo e vai diminuir ainda mais o número de pessoas corruptas. Mais pessoas submissas a Cristo, mais pessoas proclamando o Evangelho, menos pessoas praticando corrupção, e assim nossa sociedade vai sendo transformada. Pode parecer utopia, pode ser que nunca vejamos essa transformação efetivamente acontecer no Brasil, mas a nossa responsabilidade não muda. Precisamos rever nossas próprias atitudes e precisamos pregar mais o Evangelho.

Esse é o primeiro passo, simples assim. Pode ser que colhamos os frutos disso apenas na eternidade, mas, no fim das contas, é lá mesmo que importa!

Fotografia: Gaelle Marcel on Unsplash

9 comentários sobre “Corrupta, eu?

  1. Su, parabéns pelo texto e pela reflexão! Que Deus nos ajude a, nas “pequenas” e “grandes” coisas, sermos mais parecidos com Ele, deixando todo tipo de corrupção.
    Gostei de saber que vai escrever pro blog!
    Beijo!

    Curtido por 1 pessoa

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