In memorian!

O tema do mês de agosto, “alegrai-vos sempre”, gerou um paradoxo em mim. Há 14 dias o meu pai morreu, e agora lá vou eu escrever sobre alegria…

Ele estava com 76 anos. Aos poucos minha ficha vai caindo, porque, vamos combinar, somos brasileiros, latinos, e nunca estamos preparados para morte. Será?

O Luciano era um poeta. De mão cheia. Conquistou minha mãe com sua bela voz, e dedilhando as cordas de seu violão. Não contente por só interpretar, passou a compor. E que composições! Os [des]caminhos da vida não lhe deram a chance de tornar-se uma “celebridade”, mas suas músicas em nada perdem pra grandes nomes da nossa MPB, como Toquinho, Vinícius, Ivan Lins, Chico Buarque ou Caetano Veloso. Como se isso não bastasse, aos 50 anos decidiu e aprendeu a tocar teclado.

Sempre trabalhou muito. Além da conta. Planejou e construiu as casas em que morou. Cuidava de cada detalhe. Planejou e executou jardins explêndidos, que bem poderiam ter sido aqueles da Babilônia. Criou passarinhos, cultivou mudas, construiu lagos artificiais repletos de carpas e formou belas jardineiras.

Viveu boa parte da sua vida numa chácara, onde criou galinhas, algumas vacas, coelhos, gansos, patos e peixes.

Bebia um bom copo de água gelada apreciando de tal maneira que mais parecia uma taça do champagne mais caro do mundo!

Sabia ganhar dinheiro! Como sabia! Um comerciante nato, que fazia prosperar qualquer negócio. Tipo um Midas Tupiniquim.

Seu cuidado com as plantas era inigualável! Na poda, na hora de aguar, no posicionamento ante o sol… em tudo.

Ele era aquele tipo de pessoa que não aceitava NADA mau feito. Exigentíssimo! Perfeição era a pauta, não do dia, mas da vida.

Era perfeito? Não. Foi um “santo”? Não. Mas foi o MEU pai. À maneira dele, me amou. À maneira dele, tentou encontrar alívio pras suas dores de alma. À maneira dele, amou demais, odiou demais, perdoou demais, se culpou demais, se expos demais, se escondeu demais, viveu demais.

Mas o que tudo isso tem a ver com “Alegrai-vos sempre”? Tem a ver que, apesar do vazio que ecoa no meu coração, e que teima em se fazer presente, talvez por aquela sensação de que nunca mais o verei, alegro-me por ele ter sido o meu pai; alegro-me por ele ter sido alcançado pela maravilhosa graça de Cristo vinte anos antes de morrer; alegro-me por tudo de bom que herdei dele; alegro-me porque minha alegria não está fundamentada nas circunstâncias que me rodeiam no dia a dia; alegro-me porque sei que o meu Redentor Vive e porque a Alegria do Senhor é a minha força.

Então é isto, se eu pudesse fechar este texto com um conselho, eu tomaria emprestadas as palavras de um velho amigo, que há muito as escreveu em uma carta: “Alegrai-vos SEMPRE no Senhor. Outra vez digo: alegrai-vos”!

 

Fotografia: acervo pessoal da autora.

5 comentários sobre “In memorian!

  1. Querida Mônica, que bom é poder desfrutar do consolo do nosso Deus!!!! Não conheci seu pai, mas pelo que você conta e pelo que vemos que você é podemos perceber que ele foi um grande homem. Que Deus continue sendo o seu bálsamo e fortaleza sempre. Beijo!

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